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Entrevista a Rosarinho, Atleta de Ginástica Ritmica

2017-05-02


Maria Rosário Mariz, conhecida no meio da ginástica como “Rosarinho”, sagrou-se Campeã Nacional de Base em Ginástica Rítmica nos campeonatos nacionais disputados neste mês de abril sendo também classificada na quinta posição, nos campeonatos nacionais da 1ª divisão, prova realizada no fim-de-semana de 22 e 23 de abril.

 

Confessa que os estudos são a sua primeira opção o que, naturalmente, a impede de ser uma Ginasta em constante luta pelos títulos.

 

Fazendo uma apresentação pessoal, quem é a Rosarinho?

Chamo-me Maria Rosário Mariz, tenho dezasseis anos, estudo no 10º ano na Escola Clara de Resende e pratico ginástica Rítmica desde os oito anos, sempre no Boavista Futebol Clube.

 

Porquê a opção pela ginástica?

Eu necessitava de praticar um desporto e comecei por experimentar o Ténis aqui no Boavista. Confesso que não gostei e então trouxeram-me para experimentar a ginástica. Aqui sim, gostei e como gostei… fiquei.

 

Pareces-me uma jovem decidida e frontal, por isso, vou colocar uma questão melindrosa e algo polémica. Tenho conhecimento que a Rosarinho está neste atual patamar que é bom, mas poderia ser uma das melhores atletas nacionais, bastaria para isso…querer. Concordas?

Sim concordo. Eu sei que se me aplicasse totalmente na ginástica iria de certeza mais longe, mas vejo e vivo a ginástica como um hobby, um escape, levando a sua prática um pouco na desportiva.

 

Qual a razão?

Fiz uma opção em colocar os estudos em primeiro lugar. Primeiro (sempre) os estudos e só depois a ginástica. Conversei sobre isto com os meus pais, que foram da mesma opinião e assim, a escola passou a estar sempre em primeiro plano, só depois aparece a ginástica. Para atingir uma maior qualidade teria que apostar mais na modalidade, abdicando de muita coisa. Embora seja uma apaixonada pela ginástica tenho de me contentar com o nível que tenho vindo a atingir.

 

Qual os aparelhos que mais gostas e o que gostas menos?

O que mais gosto é a “Bola”, onde me sinto bem e tenho mais experiência.  O que menos gosto é “Fita”. Sendo o mais bonito de se ver é, claramente, o mais complicado de se fazer, porque qualquer falha conta. É um aparelho ingrato e muito difícil.

 

Quantos treinos realizas por semana?

Cerca de quatro treinos. Supostamente três horas por dia. Aproveitei as férias da Páscoa para treinar todos os dias.

 

Como é que uma jovem abdica das férias?

A verdade foi essa, abdiquei das férias e de muitas coisas, como estar com as minhas amigas, para treinar aqui todas as manhãs e assim conseguir melhores prestações nas provas que iria disputar.

 

E resultou! Porque não poderia ter sido melhor, dado que te sagraste Campeã Nacional de base. Com te sentiste como Campeã Nacional?

A prova correu bem, mas podia ter corrido ainda melhor.

 

Conquistas o título Nacional e dizes que ainda podia ser melhor. Como é possível tal afirmação?

Eu senti que não foi uma prova perfeita. Cá fora podem não se ver algumas falhas, mas eu senti-as e sei que as cometi. Foram pequenas, claro que foram, mas eu sei que as tive a nível corporal. Mas senti também que o título foi merecido porque fui, de facto, a melhor.

 

Já tinhas conseguido o título de Campeã distrital, juntas agora o Nacional de Base e és convidada - na condição de Campeã Nacional - para participares o campeonato nacional da 1ª divisão. Nessa prova estiveste em excelente plano. Isso prova que podias -  como já afirmámos - ter sido muito melhor Ginasta?

Exatamente. Gostei da minha prestação, que achei muito boa, terminando em quinto lugar da geral e se não fosse a prestação (menos boa) que tive nas “Maças” teria terminado em lugar de pódio.

 

Resume a tua prestação…

As minhas classificações foram:

Primeira classificada na “Bola”

Segunda na “Fita”

Sétima no “Arco”

Décima nas “Maças”

 

Significa que individualmente foste a melhor Ginasta dos campeonatos em “Bola” e segunda na “Fita”. Como te sentiste?

Feliz pela prestação no aparelho que mais gosto, feliz por ter sido segunda no mais difícil e um pouco frustrada pela prestação nas “Maças”, onde deveria ter sido melhor não deixando cair duas vezes uma das Maças. Este aparelho foi o último e eu já estava demasiado cansada.

Foi acima de tudo uma honra representar o Boavista na 1ª divisão e foi um prazer ouvir as Treinadoras dizerem que tenho capacidade para estar nesta divisão. Foi positivo e fiquei feliz.

 

Com base em tudo o que conquistaste, como responderás a um convite das tuas treinadoras para passar para a equipa da primeira divisão?

Já pensei nisso, porque considero que me irão convidar, mas tudo terá que ver com os estudos, porque o próximo ano será um ano de exames. Teria que aliar tudo, ter boas notas e trabalhar em condições para merecer e estar na primeira divisão.

 

Vi os teus olhinhos felizes, quando conquistaste o título de base. Porque não te aplicares mais por dois anos e saíres da competição como Campeã nacional da 1ª divisão?

Obviamente que ficaria feliz, ganhar é sempre bonito. No resto, depende. Se os treinos continuarem nesses horários até posso mesmo ponderar e apostar, mas os estudos estarão sempre em primeiro lugar.

 

Uma menina que chega aqui há oito anos e agora é uma jovem, como se sente e o que representa ser atleta do Boavista?

Um orgulho. Reconheço o crescimento do Boavista como clube, para além do futebol. A nível de ginástica, embora as condições ainda não sejam as ideais, têm vindo a melhorar todos anos e a todos os níveis. Os resultados da ginástica têm vindo a melhorar, fruto do trabalho que se continua a fazer no Clube.

 

Sentes, então, os melhoramentos e benefícios na ginástica do Boavista?

Sim, as instalações estão sempre a melhorar, com o senhor Pina sempre a correr (rindo-se) e sempre atento.

 

Para o ano teremos a Rosarinho, Campeã da 1ª divisão?

Ganhar é sempre bonito. Vou pensar nisso, agora deixo uma certeza, na base ou na 1ª divisão, a Rosarinho será sempre uma apaixonada pela Rítmica e orgulhosa de pertencer ao Boavista.

 

Rosarinho